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    PERITONITE INFECCIOSA FELINA (PIF) - Revisão da Literatura

    A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) é uma doença causada pelo Coronavírus felino (FCoV) da família Coronavidae presente no RNA e ocorre em felinos domésticos, principalmente naqueles que compartilham de um ambiente multi-gato, ou seja, em casas com vários felinos ou em gatis especializados.

    Hoje na Medicina Veterinária embora se especule muito sobre a doença, não há uma maneira eficaz conhecida de preveni-la, bem como também não existe tratamento para a mesma. Assim sendo, o animal detectado com PIF clínica é submetido à eutanásia.

    Uma idéia errônea que muitos possuem é de que a sorologia para detecção de anticorpos anti-FCoV é suficiente em apontar o animal como positivo para o FCoV, e conseqüentemente para PIF. Porém hoje observa-se na prática que cerca de 75% à 100% (Pedersen, 1987) dos gatos em geral; sendo que destes 80% à 90% (Simons et al., 2005) dos animais provenientes de ambientes multi-gato, bem como 50% (Simons et al., 2005) daqueles solitários em casas de família, possuem anticorpos para o FCoV; o que por sua vez não caracteriza em si a ocorrência da doença.

    Dentre os que apresentam soropositividade, estima-se que apenas algo em torno de 1% a 5% chegam a desenvolver propriamente a doença PIF (Simons et al, 2004), doença esta caracterizada pela mutação FCoV durante a replicação que ocorre no trato intestinal de gatos infectados (Poland et al., 1996; Vennema et al., 1998). Os felinos acometidos em geral são imunossuprimidos (Vennema et al., 1998), sendo que as causas da imunossupressão podem ser várias: a falta de uma vacina, a ocorrência de um fator de stress, uma mudança de ambiente, dentre outros. Esta discrepância entre o alto percentual de soropositivos e o baixo percentual dos que desenvolvem a doença se dá devido a características biológicas e genéticas do vírus (Addie & Jarret, 1992, Hohdatsu et al, 1992; Horzinek & Osterhaus, 1979).

    Hoje o diagnóstico da PIF é realizado através da análise dos dados clínicos do paciente e de mudanças observadas em alguns parâmetros sangüíneos (Cammarata Parodi et al., 1993; Gouffeux et al., 1975). Já o diagnóstico definitivo apenas pode ser confirmado através de biópsia ou de um laudo pós-morte (Sparkes et al., 1991, 1992) proveniente de uma necropsia.

    Visando estudar a incidência e a prevalência da PIF nas diferentes raças, um estudo (Somogyi et al., 2005) analisou o histórico de todos os casos da doença em um hospital durante um período de 16 anos.

    A seguir apresentamos um resumo dos resultados observados (coorte constituída por 11.535 felinos domésticos ao longo de 16 anos):

    - A diferença entre sexos não foi significativa (P-Valor = 0,425).

    - Gatos castrados foram significativamente mais acometidos do que os outros, inteiros (P-Valor < 0,001). Aqui ressaltamos que este resultado pode ser conseqüente da correlação presente entre outros dois fatores: gatos de raça tendem a ser castrados com maior freqüência do que os outros, SRDs, pois nem todos os raça-pura analisados são provenientes de gatis. Logo este resultado não deveria ser assim interpretado, e conseqüentemente a diferença da incidência de PIF entre castrado e inteiro pode não ser de fato estatisticamente significativa. Outro estudo com 2 fatores (raça-pura/SRD; castrado/inteiro) com proporções semelhantes de todas as combinações pode oferecer uma resposta mais efetiva quanto este aspecto.

    - A incidência, como já se imaginava e se observa na prática, é muito maior em gatos jovens. Observou-se que 67% tinham idade inferior a 2 anos, sendo que a idade média dos acometidos foi de 0,96 anos (aproximadamente 11 meses e meio), (Q1 = 0,5 anos; Q3 = 2,0 anos).

    - A incidência total de PIF observada foi de 0,52%. De maneira estratificada esta incidência se sub-divide em: 1,3% dos animais de raça-pura e 0,35% dos animais SRDs (incluindo mestiços). O resultado apontou para diferença significativa aonde animais de raça-pura tem 4,5 vezes mais chances de desenvolver PIF do que os outros SRDs (OR = 4,5; IC(95%) = 2,7; 7,5; P-Valor < 0,001).

    - Esta diferença por sua vez não é observada de maneira igual para todas as raças, sendo umas mais suscetíveis que outras. Observe a tabela:

    Assim sendo, concluímos que gatos domésticos das raças: Abssínio, Bengal, Sagrado da Birmânia, Himalaio, Ragdoll e Rex são mais suscetíveis do que os outros das raças: Burmês, Exótico, Manx, Persa, Azul da Rússia e Siamês; esses últimos que por sua vez não apresentaram diferença significativa de incidência quando comparados com os demais SRDs.

    Já outras vinte e três raças apresentaram incidência amostral igual à zero. São elas: Angorá, Bélgico, Bombain, British (azul), British Shorthair, Chartreux, Pêlo-curto ponteado, Egyptian Mau, Japanese Babtail, Korat, Maine Coon, Ocicat, Ragamuffin, Scottish Fold, Siberiano, SnowShoe, Somali, Sphinx, Tonkinese, e Turco do Lago de Van.

    Outros estudos (Robison et al., 1971; Rohrbach et al., 2001) apontaram para resultados semelhantes na análise de raças.


    Permissão para reproduzir desde que mencionada a fonte: www.oakscats.com/artigos_pif.htm
    Julia Pinto de Carvalho
    Criadora de Gatos de Raça - Gatil Oak's Cats. Belo Horizonte - MG.


    A posição e opinião do Gatil Oak’s Cats

    O Gatil Oak’s Cats dá em Contrato garantia para PIF até o filhote completar um ano, ocorrendo a reposição do mesmo por outro de qualidade equivalente em caso de óbito comprovado em laudo-mortis, assim que houver disponibilidade no plantel.

    Somos a favor de estudos elaborados com o intuito de encontrar a cura da doença, mas somos absolutamente contra a indução da mesma em animais saudáveis com este objetivo. Estudos observacionais bem delineados efetuados em Hospitais de grande demanda e inseridos em Universidades de ponta são suficientes em contrubuir para sanar o problema, e mesmo se não o fossem, ainda assim seria melhor conviver com a triste realidade da patologia a submeter animais de menor sorte à tamanha crueldade. Se não fazemos experiências do tipo com humanos, não há porque elas serem feitas em animais, principalmente por profissionais dos quais se espera amor incondicional a eles.


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